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sábado, 30 de julho de 2011

Como diferenciar a voz de Deus da voz do mundo?

Como discernir se é realmente Deus que nos fala? Como separar a voz de Deus de nossas próprias inclinações? Como separar o que vem de Deus e o que procede de nossa vontade carnal? Como descobrir se estou sendo influenciado pela voz do espírito humano ou pelo espírito maligno? Como separar estes três tipos de sopros que podem existir dentro de nós?
É muito importante para o músico saber separar estes três tipos de sopros, pois então deste modo ele estará executando realmente um canto vindo do coração de Deus. [...]
O modo mais eficaz para ter discernimento é sendo íntimo de Deus. Se fôssemos íntimos de Deus, descobriremos facilmente a Sua voz e a saberemos diferenciar de todas as vozes que gritarem ao mesmo tempo querendo nos influenciar e dirigir.
Muitas vezes, servimos e não sabemos o que Deus quer, pois não O buscamos na oração, não treinamos nossos sentidos espirituais para escutar a voz d'Ele.
Isso é discernimento: Discernimento é saber diferenciar a voz de Deus da voz do mundo.
É difícil para o músico escutar, a maioria é dispersiva. Na hora em que o Senhor quer falar, muitas vezes, ele está afinando o instrumento ou cochilando. Grande parte dos músicos, no momento da escolha das músicas, em vez de escutar o Senhor, prefere seguir seu gosto musical, deixando assim de apresentar o que o Senhor quer. Satisfazem o desejo humano e atrapalham a obra de Deus Pai.
O músico precisa ficar atento, escutando com amor amor as palestras, com os sentidos espirituais aguçados para a letra das canções, estando prontos para apresentar o canto certo no momento certo. Isso só acontecerá se ele [músico] se tornar íntimo de Deus, se não se deixar levar pelos impulsos da emoção.[...]
O servo de Deus na música que procura o discernimento saberá trabalhar eficientemente com os carismas. Saberá usar os dons de Deus de acordo com o que Ele quer. Não adianta sermos instrumentos de cura divina se não temos o discernimento. Não adianta termos um dom de pregar que deixe todos suspensos, se não usarmos este dom com discernimento; ele fará mais males do que bem. O dom divino, quando usado sem discernimento, mais atrapalha do que ajuda, mais destrói do que constrói. Basta que olhemos um pouco para o início da nossa conversão: no afã de fazermos com que nossos parentes e amigos experimentassem a Deus, em vez de os convertermos nós os espantamos e criamos barreiras para Deus entrar, barreiras estas que talvez persistam até hoje. Nossa falta de discernimento quanto ao uso dos dons no início da nossa conversão pode ter feito mais estragos que pensamos. [...]
Existem muitos ministérios que não fizeram uma parada séria para saber o que Deus quer deles. Fazem toda uma programação anual sem consultar o Senhor. Escolhem suas atividades segundo suas vontades. Tocam e cantam a música divina sem ligar para o Autor delas. Reúnem-se para ensaiar e nem lembram de buscar a oração, o que é mais necessário: a presença de Deus. Existem muitos ministros de músicas causando mais confusão do que construindo um canto cristão ordeiro e frutuoso.
Por isso é preciso que todo aquele que serve a Deus na música pare um pouco.
Pare! Faça uma reflexão a respeito de sua vida de intimidade com o Senhor. Faça também um retiro espiritual com todo o seu conjunto musical cristão sobre sua programação, seu objetivo de vida, seu serviço na Igreja. Busque o discernimento para sua vida pessoal para o serviço comunitário.
Comece agora, antes que seja tarde!

(Trecho extraído do livro: "Formação espiritual de evangelizadores na música" de Roberto A. Tannus e Neusa A. de O.Tannus)

terça-feira, 26 de julho de 2011

São Joaquim e Sant'Ana, Rogai por nós!

Com alegria celebramos hoje a memória dos pais de Nossa Senhora: São Joaquim e Sant'Ana.
Em hebraico, Ana exprime "graça" e Joaquim equivale a "Javé prepara ou fortalece".
Alguns escritos apócrifos narram a respeito da vida destes que foram os primeiros educadores da Virgem Santíssima. Também os Santos Padres e a Tradição testemunham que São Joaquim e Sant'Ana correspondem aos pais de Nossa Senhora.
Sant'Ana teria nascido em Belém. São Joaquim na Galiléia. Ambos eram estéreis. Mas, apesar de enfrentarem esta dificuldade, viviam uma vida de fé e de temor a Deus.
O Senhor então os abençoou com o nascimento da Virgem Maria e, também segundo uma antiga tradição, São Joaquim e Sant'Ana já eram de idade avançada quando receberam esta graça.
A menina Maria foi levada mais tarde pelos pais Joaquim e Ana para o Templo, onde foi educada, ficando aí até ao tempo do noivado com São José. A data do nascimento e morte de ambos não possuímos, mas sabemos que vivem no coração da Igreja e nesta são cultuados desde o século VI.

São Joaquim e Sant'Ana, Rogai por nós!

Feliz Dia dos Avós

Avós, simbolos de experiências
A sabedoria acumulada de duas gerações

Celebramos o Dia dos Avós (26/jul). Não se trata de mais uma data comemorativa criada com fins comerciais, mas de um dia de reflexão e agradecimento àqueles que tanto contribuem para a formação dos netos, sendo sua companhia cada vez mais constante e necessária no cenário atual, visto que os pais precisam trabalhar fora.
Nossos avós – e todos os idosos, de modo geral – são as pessoas que mais devem ser valorizadas como símbolos de experiência e sabedoria. Eles trazem consigo o testemunho de décadas, de gerações de avanços, modernidade e mudanças de comportamento.
Hoje, muitos deles consideram que o tempo não tem a mesma importância de outrora, tanto que o relógio de pulso é usado apenas como acessório.
Se hoje eles têm a pele flácida, o corpo mais sensível e a visão enfraquecida, devemos nos lembrar de que nem sempre foi assim. Afinal, já batalharam muito e dedicaram suas vidas ao cuidado da família. São tão dignos de carinho e respeito quanto nossos pais. Por isso, jamais devemos nos esquecer do verdadeiro valor deles.
Ser avô e avó, fazer parte da terceira ou quarta idade, não pode mais ser relacionado à invalidez, à inoperância ou à inutilidade. Grande parte ainda contribui com a mesma sociedade que os descarta, haja vista o elevado número de idosos responsáveis financeiramente por seus lares, cuidando de filhos e netos.
É muito triste constatar que em muitas famílias os idosos são tratados como objetos antigos. Há pessoas que costumam tecer comentários desrespeitosos a respeito dos mais velhos da casa, reclamando que só dão trabalho, que são lentos ou doentes. Quanta injustiça! Sua presença ensina aos mais novos o tesouro de enxergar o mundo com os olhos do coração.
Quem souber aproveitar o convívio com essas figuras que acumulam sabedoria de duas gerações, certamente terá muito a aprender com seus conselhos. Nossos avós detêm o conhecimento e a sabedoria que não são aprendidos nos livros e estão sempre dispostos a partilhar. São verdadeiros tesouros em nossa vida.

Abraços,

Dado Moura
Comunidade Canção Nova

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Os motoristas e São Cristóvão

Conheça o exemplo de vida deste santo

Todos precisamos de proteção. Dependemos de Deus. Para as situações de risco, como é o caso de quem está na direção de um veículo, não elevar o pensamento para o alto ao ocupar seu posto de pilotagem será sempre uma temeridade. Em velocidade, os motorizados ajudam a encurtar distâncias, mas ao mesmo tempo nos colocam em estado de menor segurança e adiantam situações inesperadas. A fé vem em nosso socorro: Deus é Pai. Os santos, na glória, unem nossa pobre condição humana à santidade divina e diante do trono do Altíssimo, oram por nós, imersos na intercessão de Cristo. Costume antigo entre os cristãos é solicitar a companhia orante destes irmãos que nos precederam na fé e viveram situações semelhantes às nossas. Nós os chamamos de Padroeiros.
São Cristóvão é o anjo protetor dos motoristas. Mas, além da intercessão, o fiel deve olhar para os santos procurando exemplo de vida. Cristóvão, antes de se tornar cristão, se chamava Réprobo. Era um cananeu rude, alto de estatura. Inculto, mas inteligente, desejava conhecer e servir ao rei mais poderoso da terra.
Certo dia lhe apresentaram um. Foi com ele a uma peça de teatro na qual o nome do diabo era repetido com freqüência. A cada vez que o ouvia, o rei fazia o sinal da cruz. – “Por que fazes este sinal”, perguntou Rébrobo. – “Para me livrar das artimanhas do demônio”, respondeu. O escravo não se conformou. “Se há alguém de quem tens medo, então não és mais poderoso que ele”. Começou então a procurar o diabo para servi-lo, admitindo ser ele o maioral da terra. Um ser bem apessoado, atraente e forte iniciou por encantar o servo gigante.
Porém, um dia andando com ele pela estrada, viu que em certo sítio, o demônio desviou caminho. Perguntou: “por que desvias?” – “Porque neste trecho há cruz igual à de um tal Jesus de quem tremo de medo”. Constatou Réprobo: “então este é maior do que ti”. Abandonou-o de imediato e andou a procura do novo rei. Encontrou-o através de um eremita que lhe falou sobre o Salvador. O cristão lhe explicou que para encontrar a Cristo era necessária a oração. O convertido entristeceu-se e disse: “não sei rezar ainda”. “Então, podes jejuar”. – “Para mim esta prática é ainda muito difícil, pois preciso de muito alimento para manter meu pesado corpo”. – “Então”, disse-lhe o catequista, “comece pela caridade e chegarás ao encontro com Cristo”. Como era alto, pôs-se misericordiosamente a transportar nos ombros pessoas que precisavam atravessar um rio sem pontes.
Certo dia, chegou à margem uma criança que com caridade pôs em travessia. Pesava muito; peso descomunal. Correu risco de não suportar e se afogar nas águas caudalosas. Ao chegar ao outro lado, reclamou: “você me causou perigo e quase me levou à morte. Porque pesa tanto? Parecia-me ter o mundo inteiro sobre os ombros”. O menino então esclarece: “tranqüiliza-te; sou o Cristo a quem serves. Transportastes o rei da terra, o criador do mundo”. Por isso, terminada a catequese, o santo eremita o batizou com o nome de Cristóvão, que significa Transportador de Cristo.
Cristóvão a partir de então se tornou um cristão tão fiel e exemplar que a muitos outros converteu para Deus. Certa vez, o imperador mandou soldados para prendê-lo obrigando-o a adorar deuses pagãos. Ele, ao encontrá-los impressionou-os tão bem com sua bondade e fé que eles desistiram de prendê-lo. Cristóvão não aceitou. “Levem-me”, disse-lhes. No caminho os soldados se transformaram e se fizeram cristãos. Para levar Cristóvão a pecar, o rei mandou duas belas moças o tentarem. Uma chamava-se Nicéia outra Aquilina. Antes que elas iniciassem seus afagostatura, que alguns o achavam quase um gigante, Cristóvão lhes falou sobre a fé e a moral cristã e elas se arrependeram e pediram o batismo, deixando a vida de prostituição. Tão forte foi a conversão delas que nem diante das torturas voltaram atrás, mas enfrentaram corajosamente o martírio. Cristóvão foi perseguido, torturado, açoitado e por fim decapitado, mas nunca deixou de amar e servir ao maior e único Rei do mundo que em sua estrada teve a graça de encontrar.

Eis aí, motorista, seu patrono e seu exemplo.

São Cristóvão, Rogai por nós!

Dom Gil Antônio Moreira

sábado, 23 de julho de 2011

Minha música, minha oração

Olá! Mais uma vez venho partilhar algo do meu coração.
Começo perguntando: “A minha música leva à oração?” A resposta pode até estar na ponta da língua: “É claro que leva à oração!” Quantas pessoas nós conseguimos ver que estão rezando enquanto estamos ministrando a música ou tocando um instrumento.
Mas e quanto a nós? Nós rezamos enquanto levamos os outros à oração? Isso pode até ser uma velha reflexão, eu mesmo já ouvi Monsenhor Jonas Abib pregando sobre isso, mas percebo que corremos um grande risco de nos esquecer de que o Deus sobre o qual nós cantamos aos outros também é um Deus acessível a nós.
É preciso mergulhar e se entregar ao Senhor durante a nossa ministração [de música]. É preciso orar com nossos instrumentos, é preciso um mergulho profundo na oração para podermos colocar os acordes de forma certa, com a sensibilidade que é necessária para aquele momento. No entanto, muitas vezes, podemos até levar o outro à oração quando estamos tocando, mas não participamos da oração, estamos ali de “corpo presente” fazendo automaticamente o que gostamos de fazer. A consequência disso é que damos espaço ao demônio, que enche nosso coração de orgulho e, durante algum tempo, conseguimos fazer com eficácia nosso trabalho. Contudo, passado esse tempo, já estamos tão cheios de nós mesmos, o orgulho já dominou grande parte do nosso coração e começamos tocar para que os ouvidos e olhares se voltem para nós e colocamos a perder toda a graça de Deus para aquele momento.
Resultado desastroso, pois, dessa forma, nós já nos perdemos em nossos acordes lindos, dissonantes e o povo se perdeu na oração por nossa culpa.
A música traz grande prazer, o tocar e o cantar são bons para o músico, mas como é satisfatório e prazeroso para a alma rezar como músico! Rezar com a música que ele produz. Quanto Deus se alegra com isso. O resultado disso é a música ungida, experimentada por ele [músico] e dada aos outros a partir de um coração útil a Deus, livre do orgulho, do egoísmo, coração que reza e escuta o Senhor, que vai por meio do Espírito inspirando os acordes, a sensibilidade, o silêncio e levando o povo todo a uma experiência com o Senhor da música.
Temos que ser uma pauta em branco; quem coloca as notas nela é o Senhor, na clave que Ele quiser, mas quem executa somos nós experimentando a obra que Ele compôs.

Postado por Andre W. Florencio - Missionário da Comunidade Canção Nova
www.cancaonova.com

domingo, 17 de julho de 2011

A unção na música

Por mais que tenhamos técnica e tenhamos todos os recursos da ciência musical, se não tivermos unção não cumpriremos a missão que o Senhor nos dá, que é sermos ministros da música.
Encontramos no Segundo Livro das Crônicas, no capítulo 5, versículos 12 a 14, um relato impressionante do que é ministrar a música com poder. Na ocasião os cantores e tocadores preparavam a entrada da Arca de Deus no templo de Jerusalém, recém-constituído:

“Todos os cantores levíticos, Asaf, Hemã, Jedutun, com os filhos e irmãos, lá estavam, vestidos de linho, levando címbalos, harpas e cítaras, do lado oriental do altar, junto com cento e vinte sacerdotes que tocavam trombetas. Quando todos unidos se puseram a tocar as trombetas e a cantar, ouvia-se como um único som, louvando e dando graças ao SENHOR. Ao som das trombetas, dos címbalos e dos instrumentos musicais cantou-se em honra do SENHOR: “Sim, ele é bom, eterno é seu amor”. Nesse momento o templo se encheu com a nuvem da glória do SENHOR,e os sacerdotes nem podiam continuar o ato litúrgico por causa da nuvem, pois a glória do SENHOR enchia a casa de Deus.”

Na passagem bíblica é citada três vezes a expressão “neste momento”. Foi exatamente no momento em que os tocadores e cantores se uniram para celebrar o louvor do Senhor que a casa de Deus se encheu com a glória d'Ele. Não foi em outro momento, mas no momento em que a música era executada, com unção, que a glória do Senhor entrou no recinto.

Quando o ministério de música se une com o intuito de ministrar a música para o louvor do Senhor, o poder e a glória do Todo-poderoso enchem os recintos e a música enche os lugares com a presença d'Ele. Se o ministério não se uniu com o objetivo de dar glória a Deus, a música não será ministrada com o poder do alto e não atrairá a glória de Deus. Ministério desunido não enche os lugares com a glória de Deus.
É justamente este o papel do ministério de música: encher os lugares com a glória de Deus, atrair a glória do Senhor para os recintos, de modo que as pessoas sejam tocadas e tenham o coração convertido ao Senhor.

Não é fácil saber quando o ministério de música está ungido, pois neste momento nossos sentidos se voltam para a glória do Senhor. Porém, é muito fácil verificar quando o ministério não está ungido, pois a música não convence, as pessoas ficam dispersas e desatentas. Quando falta unção na música, os sentidos dos ouvintes se voltam para o conjunto ou para o ministério e não para Deus.

Para a música ser ministrada com unção ela precisa primeiro cair no coração de quem a executa e convencê-lo primeiro; é necessário que seja ministrada a música em primeiro lugar para si mesmo. É muito duro verificar que muitas pessoas nem prestam atenção ao que estão cantando, nem se preocupam com o que a letra está dizendo. Cantar sem colocar o coração, sem ministrar para si mesmo, é o que o sino da igrejinha faz: toca, toca, toca chamando o povo para a Santa Missa, mas ele não entra, fica de fora!

(Trecho extraído do livro: "Formação espiritual de evangelizadores na música" de Roberto A. Tannus e Neusa A. de O.Tannus).

sábado, 16 de julho de 2011

Nossa Senhora do Carmo, Rogai por nós!

Pelo ano de 1222, dois cruzados ingleses levaram para a Inglaterra, alguns Carmelitas que habitavam o Monte Carmelo. Um homem penitente, austero, logo se uniu a eles. Era Simão Stock. Consta que tivesse ele recebido um aviso de Nossa Senhora que viriam da Palestina Monges devotos de Maria e que deveria unir-se a eles. Vieram depois tantos Carmelitas para a Europa que foi preciso nomear um Superior Geral para os mesmos. Em 1245, foi ele eleito para desempenhar este cargo. Encontrou ele dificuldades quase insuperáveis. Mandou que os Carmelitas estudassem: isto gerou uma discórdia interna, pois não queriam os mais velhos que contemplativos estudassem. O clero secular revoltou-se contra eles e pediu a Roma sua supressão. Diante de tanta oposição, Simão Stock, com seus 90 anos, retirou-se para o mosteiro de Cambridge, no Ducado de Kent, e pedia a proteção de Maria. Orava ele em sua cela, quando viu um clarão, na noite de 16 de julho de 1251. Rodeada de anjos, Maria Santíssima entregou-lhe o Escapulário, dizendo-lhe: "Recebe, filho queridissimo, este Escapulário de tua Ordem: isto será para ti e todos os Carmelitas um privilégio. Quem morrer revestido dele não sofrerá o fogo eterno".
Desde aquele 16 de julho de 1251, Nossa Senhora do Carmo jamais deixou de amparar seus devotos, revestidos do Escapulário.
Passaram sete séculos, Milhões de cristãos, trouxeram o Escapulário de Maria.
É verdade que aqui e acolá surgem vozes, negando a aparição e, por consequência, a devoção devida a Maria.
O maior inimigo do Escapulário do Carmo foi o Anglicano Launoy, dizendo que é uma lenda. O livro de Launoy foi colocado no Índice dos Livros Proibidos. O papa Bento XIV, um dos mais sábios teólogos de todos os tempos, não se limitou apenas a condenar Launoy, mas disse claramente que só um desprezador da Religião podia negar a autenticidade da Visão do Escapulário. Apesar disto, o livro de Launoy continuou a ser citado e as dúvidas persistiram. Foi devido aos ataques que se fez um estudo mais apurado e se descobriu o livro, denominado "Viridarium", escrito em 1398 por Frei João Grossi, Superior Geral dos Carmelitas. Era um homem santo e letrado, célebre na Igreja pela atividade exercida para terminar com o Grande Cisma do Ocidente. Consultou os companheiros que conviveram com S. Simão Stock. Apresenta ele um Catálogo dos santos Carmelitas, dizendo que o nono é S. Simão Stock, o sexto superior geral da Ordem. Descreveu como aconteceu a aparição, a 16 de julho de 1251. Contou que São Simão Stock morreu em Bordeus, na França, quando visitava a Província de Vascônia em 1261.
Infelizmente, a biblioteca de Bordeus foi queimada um século depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, por funcionários municipais, por causa de uma peste, com medo da propagação do contágio.
Henrique VIII, rei da Inglaterra, ao se separar de Roma e, ao fundar a Igreja anglicana, mandou arrasar as bibliotecas católicas.
Um carmelita contemporâneo de São Simão Stock, que vivia na Palestina, escreveu um livro intitulado: "De multiplicatione Religionis Carmelitarum per Provinciais Syriae et Europae; et de perditione Monasteriorum Terrae Sanctae". Nesta obra, contava as terríveis perseguições e dissenções que arruinavam a Ordem do Carmo, antes da aparição de Nossa Senhora . Opinava ele que eram fomentadas por Satanás. Declarava ele que a Santíssima Virgem apareceu ao Prior Geral, São Simão Stock e que, após a Visão de Nossa Senhora do Carmo, o Papa não só aprovara a Ordem, mas ordenara que se empregassem censuras eclesiásticas contra todo aquele que, daí em diante, fosse contra os Carmelitas. O Papa mandou cartas a todos os Arcebispos e Bispos, exortando-os a tratar com mais caridade e consideração os seus amados irmãos Carmelitas e permitissem a construção de mosteiros adequados.
Um ano depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, o Rei da França, Henrique III, em 1252, publicou diplomas de proteção real à Ordem recentemente transplantada para o seu reino.
Em 1262, um ano após a morte de São Simão Stock, o Papa Urbano IV concedeu privilégios aos membros que compunham a Confraria do Carmo. Ora o Papa só dá privilégios a associações bem constituídas.
Quinze anos depois da morte de S. Simão Stock, ocorrida em 1261, foi sepultado em Arezzo, a 10 de janeiro de 1276, o Papa Gregório X, que governou a Igreja, desde 1271. Consta que antes de ser Papa usava o Escapulário. Em 1830 quando foi exumado seu corpo para ser colocado num relicário de prata, foi encontrado intacto o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, de seda de carmezim, com precioso bordado a ouro, como convinha ao Papa. Encontra-se, hoje, no museu de Arezzo, como um dos tesouros. Este é o primeiro Escapulário pequeno conhecido na História.
Em 1820, numa Assembléia, em florença, Itália, os 40 Carmelitas reunidos falam do Escapulário, ocorrendo o mesmo, em julho de 1287, em Montpelier, França.
As constituições de 1324, 1357 e 1369 dizem que o Escapulário é o hábito especial da Ordem e que os Carmelitas devem usá-lo.
Diante disto, John Haffert diz: "Conclui-se, portanto, que a aparição da Santíssima Virgem a S. Simão Stock é, historicamente, ceríssima".
Uma vez demonstrada a historicidade da aparição de Nossa Senhora do Carmo, John Haffert analisa o cumprimento da Promessa de Maria, através dos sete séculos. Conta ele fatos e mais fatos ocorridos com o que, na vida, trouxeram o Escapulário de Nossa Senhora.

Artigo escrito por Dom Pedro Fedalto, Arcebispo de Curitiba para o Jornal Gazeta do Povo.
www.santuariodocarmo.com.br

segunda-feira, 11 de julho de 2011

São Bento, Rogai por nós!

Abade vem de "Abbá", que significa pai, e isto o santo de hoje bem soube ser do monaquismo ocidental. São Bento nasceu em Núrcia, próximo de Roma, em 480, numa nobre família que o enviou para estudar na Cidade Eterna, no período de decadência do Império.
Diante da decadência – também moral e espiritual – o jovem Bento abandonou todos os projetos humanos para se retirar nas montanhas da Úmbria, onde dedicou-se à vida de oração, meditação e aos diversos exercícios para a santidade. Depois de três anos numa retirada gruta, passou a atrair outros que se tornaram discípulos de Cristo pelos passos traçados por ele, que buscou nas Regras de São Pacômio e de São Basílio uma maneira ocidental e romana de vida monástica. Foi assim que nasceu o famoso mosteiro de Monte Cassino.
A Regra Beneditina, devido a sua eficácia de inspiração que formava cristãos santos por meio do seguimento dos ensinamentos de Jesus e da prática dos Mandamentos e conselhos evangélicos, logo encantou e dominou a Europa, principalmente com a máxima "Ora et labora". Para São Bento a vida comunitária facilitaria a vivência da Regra, pois dela depende o total equilíbrio psicológico; desta maneira os inúmeros mosteiros, que enriqueceram o Cristianismo no Ocidente, tornaram-se faróis de evangelização, ciência, escolas de agricultura, entre outras, isso até mesmo depois de São Bento ter entrado no céu com 67 anos.

São Bento, Rogai por nós!

sábado, 9 de julho de 2011

Show: Mostrar algo ou mostrar-se?

"O que eu quero mostrar para as pessoas?"

Hoje em dia é muito comum ouvirmos no meio católico a palavra "show", que dentro muitas traduções, traz os verbos: mostrar e expor. Quando existe uma mostra de algo, certamente, é para que esse algo seja apreciado ou até mesmo adquirido por alguém em função da experiência positiva que ele teve com o que foi mostrado.

A música católica tem tido cada vez mais espaço para mostrar algo ao povo. Não temos dúvida de que "esse algo" é Deus, que é o grande motivo da "mostra" acontecer! Como missionário e músico católico tenho muito medo de que minha "mostra" seja cheia de mim mesmo e pouco de Deus.
Senão, de que adianta cantar em nome d'Ele?

Este é o risco que hoje nós músicos católicos enfrentamos: fazer um show cheio de nós e pouco de Deus.
Muitos me perguntam como fazer para que o show seja essa mostra de Deus e sempre digo que tudo começa em sabermos quem somos, de onde viemos e quem nos chamou. Precisamos saber que viemos de Deus, que quem nos chamou foi Ele e, antes de se "preocupar" com o nosso show, Ele se preocupa com a nossa salvação.
Antes de músicos, somos filhos de Deus.
Antes de uma boa produção (que é necessária!), Ele nos chama a sermos discípulos que testemunham com a vida, no dia a dia, que o nosso coração encontrou o que tanto buscava.

Músicos, "a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus"! (Rm 8, 19). Precisamos inflamar o mundo com a nossa radicalidade de vida, a qual é fruto de um encontro pessoal com Jesus Ressuscitado.
Coragem! Precisamos fazer a diferença e ser referência para todos que, de alguma forma, tocam a nossa vida.

Que possamos ouvir bem o convite que São Paulo faz a nós: "Tornai-vos os meus imitadores, como eu o sou de Cristo" (I Cor 11, 1).
Nossa missão é, primeiramente, experimentar o amor verdadeiro que transforma e converte a nossa vida e, como consequência, espalhá-lo ao mundo por intermédio da nossa missão como ministros de música.

Seja feliz! Seja fiel! Seja de Deus!


Nilton Júnior

Comunidade Católica Pantokrator

domingo, 3 de julho de 2011

Série: Virtudes dos Músicos - Bom ouvinte

Em sintonia com o Som que vem do Céu

O ministro de música tem senso de melodia, é afinado, tem ritmo, não entra fora do tom. Portanto, se alguém, sabendo dessas características que todo ministro de música necessariamente deve ter, notar que ele não preenche esses requisitos, tem duas saídas: uma é pedir que Deus lhe conceda a acuidade musical; outra é questionar-se profundamente sobre o seu papel no ministério, pois talvez o dom dele não seja o de cantar, mas o de interceder ou de escutar o Senhor e passar para a equipe de música aquilo que o Senhor quer.

(Trecho extraído do livro: "Formação espiritual de evangelizadores na música" de Roberto A. Tannus e Neusa A. de O.Tannus).

sábado, 2 de julho de 2011

Festa do Imaculado Coração de Maria

Celebrar a festa do Imaculado Coração de Maria é saborear a insondável misericórdia de Deus que quis amar com coração humano, a partir do Coração de Maria de Nazaré. Celebrar o Imaculado Coração de Maria é aproximar-se de uma pessoa maravilhosa, espaço onde Deus encontrou total transparência, santidade, beleza e doação total. Mas a nossa Mãe Imaculada não quer só que a admiremos, mas a imitemos procurando viver em total transparência, sinceridade, verdade e santidade diante de Deus e dos Homens.
A Palavra de Deus oferecida para esta celebração leva-nos ao Deus que tem coração, que ama. Ele faz coisas impensáveis para derramar sobre nós o seu amor e a sua misericórdia.
A sua relação conosco e a sua revelação é uma história de amor. Mas, é, sobretudo em Jesus Cristo seu Filho – no Seu Mistério Pascal – que todo o seu amor, jorra abundante e é derramado no coração da humanidade.
O Evangelho de Lucas convida-nos a ser discípulos do amor. Convida-nos a subir a Jerusalém para tocarmos os sinais do seu amor, a realização das promessas, a verificarmos a certeza da sua ressurreição ao «terceiro dia», e a comunicá-Lo com entusiasmo e alegria.
Cristo nossa Páscoa é o centro do amor de Deus e da nossa busca, procura, aceitação e compromisso. É a partir daqui que todos nascemos e devemos viver. Devemos viver na e da fé. E esta fé é tanto mais autêntica quanto mais se compromete em mistério pascal: encontro com Cristo ressuscitado. E a partir desse Acontecimento a dar a vida, a fazer-se doação. Há, pois, um chamamento à nossa identificação com a Cruz de Cristo, isto é, quando «tiverem passado os dias festivos», os sinais da festa, do entusiasmo e nos parecer ter perdido tudo ou se transformarem os acontecimentos em dor, tristeza e desilusão.
Maria de Nazaré, feliz porque acreditou, aparece como referência do autêntico discípulo que acredita e vive todos os acontecimentos, sobretudo os mais dolorosos e difíceis. Ela vive em confiança e doação total. Ele sabe permanecer e sabe estar de pé na firmeza do poder do amor de Cristo morto e ressuscitado.
Hoje o seu Imaculado Coração é forte sinal para toda a Humanidade. Convite a aceitarmos o amor, a voltarmos ao amor, a dizermos não à tentação e sedução do mundo da violência, da morte, da arrogância e do poder do mal. Maria é voz de Boa-Nova a anunciar que Cristo está vivo. Ela continua a ser presença da força do mistério pascal de Cristo que vence o pecado e a morte. Na sedução enganosa da construção do mundo à margem do amor de Deus, importa acatar a mensagem do Seu Coração.
Todos aprendemos a amar. É, sobretudo com os pais e na família, a melhor e mais importante universidade, que aprendemos vários sinônimos e sinais do amor.
A Palavra de Deus convida-nos à arte de amar: «Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no Senhor». O salmo traduz a pessoa enamorada que canta a beleza da bondade e misericórdia de Deus, das maravilhas que opera. Maria, no Evangelho, aparece como a mais bela docilidade amorosa diante do projecto de Deus.
Maria quer ensinar-nos a arte mais importante: a arte de amar. Amar é fácil de dizer, mas difícil de viver. Maria vive-a como ninguém. Ao mostrar o seu Coração Imaculado é, sobretudo a vida que Ela mostra. Ela quer ensinar-nos que o amor repara os pecados, reanima a esperança, leva à vida, une, constrói, perdoa, santifica, defende os pequeninos e liberta os humilhados.
O Seu Coração Imaculado sofre de maneira incalculável tantos crimes, pecados e ofensas. É preciso travar o mal com o amor incondicional a Deus e por Ele a todos os Homens. O Seu Coração Imaculado é um convite de forma especial a todos os seus filhos para que Deus «brilhe» com mais transparência em todo o seu ser e vida.
Espírito que orienta a vida dos homens e mulheres para Deus, ajuda-me a dizer como meu sim, como fez Maria afim de que possa crescer cada dia, em sabedoria e graça, buscando, como Jesus, adequar minha vida ao querer do Pai.

Padre Bantu Mendonça K. Sayla
www.cancaonova.com

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

A sexta-feira seguinte ao segundo domingo depois de Pentecostes a Igreja Católica celebra a solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Além da celebração litúrgica, muitas outras expressões de piedade têm por objeto o Coração de Cristo. Não tem dúvida de que a devoção ao Coração do Salvador tem sido, e continua a ser, uma das expressões mais difundidas e amadas da piedade eclesiástica. Entendida à luz da Sagrada Escritura, a expressão “Coração de Cristo” designa o mesmo mistério de Cristo, a totalidade do seu ser, a sua pessoa considerada no seu núcleo mais íntimo e essencial.
Como o têm lembrado frequentemente os Romanos Pontífices, a devoção ao Coração de Cristo tem um sólido fundamento na Escritura. Jesus apresenta-se a si mesmo como mestre “manso e humilde de Coração” (Mt. 11, 29). Pode dizer-se que a devoção ao Coração de Jesus é a tradução em termos cultuais do reparo que, segundo as palavras proféticas e evangélicas, todas as gerações cristãs voltaram para aquele que foi atravessado (cfr. Jo. 19, 27; Zc. 12, 10), isto é, o costado de Cristo atravessado pela lança, do qual brotou sangue e água, símbolo do “sacramento admirável de toda a Igreja”.
O texto de São João que narra a ostentação das mãos e do costado de Cristo aos discípulos (Cfr. Jo. 20, 20) e o convite dirigido por Cristo a Tomás para que estendesse a sua mão e a introduzisse no seu costado (Cfr. Jo, 20 27), tiveram também um influxo notável na origem e no desenvolvimento da piedade eclesiástica ao Sagrado Coração.
Estes textos, e outros foram objeto de assídua meditação por parte dos Santos Padres que desvendaram as riquezas doutrinais e com frequência convidaram aos fiéis a penetrar no mistério de Cristo pela porta aberta de seu costado. Assim, santo Agostinho diz: “A entrada é acessível: Cristo é a porta. Também se abriu para ti quando o seu costado foi aberto pela lança. Lembra o que dali saiu; portanto olha por onde podes entrar. Do costado do Senhor pendurado que morria na Cruz saiu sangue e água quando foi aberto pela lança. Na água está a tua purificação, no sangue a tua redenção.”
A Idade Média foi uma época especialmente fecunda para o desenvolvimento da devoção ao Coração do Salvador. Homens insignes pela sua doutrina e santidade, como São Bernardo (+1153), São Boaventura (+1274), Santa Lutgarda (+1246), Santa Matilde de Magdeburgo (+1282), as Santas Irmãs Matilde (+1299) e Gertrudes (+1302), Ludolfo de Saxónia (+1378) e Santa Catarina de Siena (+1380) aprofundaram o mistério do Coração de Cristo no qual percebiam o “refúgio” aonde acolher-se.
Na época moderna o culto ao Sagrado Coração do Salvador teve novo desenvolvimento. No momento em que o jansenismo proclamava os rigores da justiça divina, a devoção ao Coração de Cristo foi um antídoto para suscitar nos fiéis o amor ao Senhor e a confiança na sua infinita misericórdia, da qual o Coração é prenda e símbolo. São Francisco de Sales (+1622), que adotou como norma de vida e apostolado a atitude fundamental do Coração de Cristo, ou seja, a humildade, a mansidão, (Cfr. Mt. 11, 29), o amor terno e misericordioso; Santa Margarida Maria Alacoque (+1690), a quem o Senhor mostrou repetidas vezes as riquezas do Seu Coração; São João Eudes (+1680), promotor do culto litúrgico ao Sagrado Coração; São Cláudio de la Colombière (+1682), São João Bosco (+1888) e outros santos têm sido apóstolos insignes da devoção ao Sagrado Coração.
As formas de devoção ao Coração do Salvador são muito numerosas; algumas têm sido explicitamente aprovadas e recomendadas pela Santa Sé. Entre elas devem ser lembradas: a Consagração pessoal, que, segundo Pio XI, “entre todas as práticas do culto ao Sagrado Coração é sem dúvida a principal”; a Consagração da família; as Ladainhas do Sagrado Coração de Jesus; o Ato de Reparação; e a prática das Nove Primeiras Sextas-feiras.
É preciso, porém, que se instrua de maneira conveniente os fiéis: sobre o fato de que não se deve pôr nesta prática uma confiança que se converta em vã credulidade que, na ordem da salvação, anule as exigências absolutamente necessárias de Fé operante e do propósito de levar uma vida conforme ao Evangelho; sobre o valor absolutamente principal do domingo, a “festa primordial”, que deve caracterizar-se pela plena participação dos fiéis na celebração eucarística.

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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Dia do Papa

No dia 29 de junho, a Igreja celebra a festa de São Pedro, o apóstolo que Jesus escolheu para ser o chefe dos apóstolos, como se lê não só no Evangelho de São Mateus (16, 18), mas também em São João (21, 16-18). Através da imagem das chaves Cristo prometeu-lhe a chefia da cidade e entregou-lhe o rebanho todo. Por ser a festa de São Pedro, é o dia do papa, que é seu sucessor.
O atual é Bento XVI. Neste dia todos os católicos do mundo rezamos por ele, pedindo ao Senhor que as luzes do Espírito Santo o iluminem e o fortifiquem para o bem da Igreja.
O poder do Papa na Igreja não é de um soberano absoluto, cujo querer é lei. Mas sua missão é por-se a serviço da palavra de Deus e fazer que esta palavra de Deus esteja no coração de todos. É pois Ele que ilumina os passos da humanidade e aponta os caminhos do Evangelho em nome de Jesus Cristo.
Por ser criatura humana, carrega em si, não obstante a excelsitude de seu cargo e de sua missão, as qualidades e limitações da natureza humana. Daí as diferenças pessoais dos Papas. Para os que temos fé, sabemos ver nos Papas, que a história nos retrata, tanto a autoridade suprema em nome de Jesus, como as diferenças pessoais de cultura, de psicologia, de origem e de formação.
No Papa atual Bento XVI, temos de reconhecer sua invejável cultura teológica, doutor que é em teologia. Sua tese de doutorado foi sobre a teologia de Santo Agostinho.
Além do preparo inrtelectual no campo da teologia, Bento XVI é “expert” na arte musical. Pianista, levou para seus aposentos o piano, que possuia quando cardeal. Isto se deve ao ambiente musical de seu lar e da sua família. Hoje, nas poucas horas vagas do seu dia, consegue deslisar os dedos ageis na sonora brancura do teclado. E sua preferência é por Mozart. Ele mesmo recorda que, “na sua paróquia de origem, quando nos dias de festa, tocavam uma Missa de Mozart, para mim era como se estivessem abertos os céus”.
Homem muito discreto, vive no silêncio de seu palácio, de modo que pouco ou quase nada se sabe de sua vida pessoal. Apenas, por indiscrição de um cardeal, com quem almoçava às vezes, antes de ser papa, sabe-se que aprecia doce e chocolate. Sem dúvida um bom gosto...
Sabe-se por confidência dele mesmo, que no seminário, quando jovem, sua “verdadeira tortura” era a hora do esporte, por não se sentir dotado para o exercício físico.
Estas pinceladas, que tentam mostrar a personalidade do nosso atual Pontífice, têm a pretensão de fazê-lo mais conhecido, admirado e amado. E no seu dia, que é a festa de São Pedro, o Senhor O conserve, O faça feliz e iluminado para o bem de nossa Igreja. E sempre abençoado, como diz seu próprio nome.

Dom Benedicto de Ulhoa Vieira
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Solenidade de São Pedro e São Paulo

Hoje a Igreja do mundo inteiro celebra a santidade de vida de São Pedro e São Paulo apóstolos. Estes santos são considerados "os cabeças dos apóstolos" por terem sido os principais líderes da Igreja Cristã Primitiva, tanto por sua fé e pregação, como pelo ardor e zelo missionários.
Pedro, que tinha como primeiro nome Simão, era natural de Betsaida, irmão do Apóstolo André. Pescador, foi chamado pelo próprio Jesus e, deixando tudo, seguiu ao Mestre, estando presente nos momentos mais importantes da vida do Senhor, que lhe deu o nome de Pedro. Em princípio, fraco na fé, chegou a negar Jesus durante o processo que culminaria em Sua morte por crucifixão. O próprio Senhor o confirmou na fé após Sua ressurreição (da qual o apóstolo foi testemunha), tornando-o intrépido pregador do Evangelho através da descida do Espírito Santo de Deus, no Dia de Pentecostes, o que o tornou líder da primeira comunidade. Pregou no Dia de Pentecostes e selou seu apostolado com o próprio sangue, pois foi martirizado em uma das perseguições aos cristãos, sendo crucificado de cabeça para baixo a seu próprio pedido, por não se julgar digno de morrer como seu Senhor, Jesus Cristo.
Escreveu duas Epístolas e, provavelmente, foi a fonte de informações para que São Marcos escrevesse seu Evangelho.
Paulo, cujo nome antes da conversão era Saulo ou Saul, era natural de Tarso. Recebeu educação esmerada "aos pés de Gamaliel", um dos grandes mestres da Lei na época. Tornou-se fariseu zeloso, a ponto de perseguir e aprisionar os cristãos, sendo responsável pela morte de muitos deles.
Converteu-se à fé cristã no caminho de Damasco, quando o próprio Senhor Ressuscitado lhe apareceu e o chamou para o apostolado. Recebeu o batismo do Espírito Santo e preparou-se para o ministério. Tornou-se um grande missionário e doutrinador, fundando muitas comunidades. De perseguidor passou a perseguido, sofreu muito pela fé e foi coroado com o martírio, sofrendo morte por decapitação.
Escreveu treze Epístolas e ficou conhecido como o "Apóstolo dos gentios".

São Pedro e São Paulo, rogai por nós!

sábado, 25 de junho de 2011

Série: Virtudes dos Músicos - Paciência a toda prova

“Os sinais distintivos do verdadeiro apóstolo se realizaram em nosso meio por intermédio de uma paciência a toda prova, de sinais, prodígios e milagres” (II Cor 12,12).

O primeiro detalhe que distingue quem é apóstolo é a paciência a toda prova. Os sinais, prodígios e milagres que seguem o apóstolo de Cristo são o resultado da paciência colocada à prova.
Toda falta de paciência resulta da falta de amor, pois onde reina o amor, impera a paciência. Da palavra “paciência” podemos tirar duas outras: PAZ e PACIÊNCIA.
Paciência é saber esperar com esperança, com paz e com conhecimento de que Deus tudo pode realizar em nós e por nós. O servo músico sofre as demoras de Deus sabendo que o tempo do Senhor é melhor que o nosso tempo (cf. Eclo 2,1ss). O ministro de Deus na música tem calma para ensaiar com os fiéis as canções e não se irrita com o desacerto dos outros.

(Trecho extraído do livro: "Formação espiritual de evangelizadores na música" de Roberto A. Tannus e Neusa A. de O.Tannus).

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Solenidade do Nascimento de João Batista

Com muita alegria, a Igreja, solenemente, celebra o nascimento de São João Batista. Santo que, juntamente com a Santíssima Virgem Maria, é o único a ter o aniversário natalício recordado pela liturgia.
São João Batista nasceu seis meses antes de Jesus Cristo, seu primo, e foi um anjo quem revelou o seu nome ao seu pai, Zacarias, que há muitos anos rezava com sua esposa para terem um filho.
Estudiosos mostram que possivelmente depois de idade adequada, João teria participado da vida monástica de uma comunidade rigorista, na qual, à beira do Rio Jordão ou Mar Morto, vivia em profunda penitência e oração. Pode-se chegar a essa conclusão a partir do texto de Mateus: "João usava um traje de pêlo de camelo, com um cinto de couro à volta dos rins; alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre".
O que o tornou tão importante para a história do Cristianismo é que, além de ser o último profeta a anunciar o Messias, foi ele quem preparou o caminho do Senhor com pregações conclamando os fiéis à mudança de vida e ao batismo de penitência (por isso “Batista”). Como nos ensinam as Sagradas Escirturas: "Eu vos batizo na água, em vista da conversão; mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu: eu não sou digno de tirar-lhe as sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo" (Mateus 3,11).
Os Evangelhos nos revelam a inauguração da missão salvífica de Jesus a partir do batismo recebido pelas mãos do precursor João e da manifestação da Trindade Santa.
São João, ao reconhecer e apresentar Jesus como o Cristo, continuou sua missão em sentido descendente, a fim de que somente o Messias aparecesse. Grande anunciador do Reino e denunciador dos pecados, ele foi preso por não concordar com as atitudes pecaminosas de Herodes, acabando decapitado devido ao ódio de Herodíades, que fora esposa do irmão deste [Herodes], com a qual este vivia pecaminosamente.
O grande santo morreu na santidade e reconhecido pelo próprio Cristo: "Em verdade eu vos digo, dentre os que nasceram de mulher, não surgiu ninguém maior que João , o Batista" (Mateus 11,11).

São João Batista, rogai por nós!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo

A origem da festa de Corpus Christi
A celebração do amor e união

História: A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV com a Bula "Transiturus" de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.
O Papa Urbano IV foi o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon, as quais exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico.
Juliana nasceu em Liège em 1192 e participava da paróquia Saint Martin. Com 14 anos, em 1206, entrou para o convento das agostinianas em Mont Cornillon, na periferia de Liège. Com 17 anos, em 1209, começou a ter 'visões', exigindo da Igreja uma festa anual para agradecer o sacramento da Eucaristia. Com 38 anos, em 1230, confidenciou esse segredo ao arcediago de Liège, que 31 anos depois, por três anos, se tornaria o Papa Urbano IV (1261-1264), tornando mundial a Festa de Corpus Christi, pouco antes de morrer.
A "Fête Dieu" começou na paróquia de Saint Martin em Liège, em 1230, com autorização do arcediago para procissão Eucarística só dentro da igreja, a fim de proclamar a gratidão a Deus pelo benefício da Eucaristia. Em 1247, aconteceu a primeira Procissão Eucarística pelas ruas de Liège, já como festa da diocese. Depois se tornou festa nacional na Bélgica. A festa mundial de Corpus Christi foi decretada em 1264, 6 anos após a morte de irmã Juliana em 1258, com 66 anos.
Santa Juliana de Mont Cornillon foi canonizada em 1599 pelo Papa Clemente VIII.

Celebração: O decreto do Papa Urbano IV teve pouca repercussão, porque ele morreu em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada antes de 1270. O ofício divino, seus hinos, a sequência 'Lauda Sion Salvatorem' são de Santo Tomás de Aquino (1223-1274), que estudou em Colônia com Santo Alberto Magno. Essa festa [Corpus Christi] tomou seu caráter universal definitivo, 50 anos depois de Urbano IV, a partir do século XIV, quando o Papa Clemente V, em 1313, confirmou a Bula de Urbano IV nas Constituições Clementinas do Corpus Júris, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial.
Em 1317, o Papa João XXII publicou esse Corpus Júris com o dever de levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. O Concílio de Trento (1545-1563), por causa dos protestantes, da Reforma de Lutero, dos que negavam a presença real de Cristo na Eucaristia, fortaleceu o decreto da instituição da Festa de Corpus Christi, obrigando o clero a realizar a Procissão Eucarística pelas ruas da cidade, como ação de graças pelo dom supremo da Eucaristia e como manifestação pública da fé na presença real de Cristo na Eucaristia.
Em 1983, o novo Código de Direito Canônico – cânon 944 – mantém a obrigação de se manifestar "o testemunho público de veneração para com a Santíssima Eucaristia" e "onde for possível, haja procissão pelas vias públicas", mas os bispos escolham a melhor maneira de fazer isso, garantindo a participação do povo e a dignidade da manifestação.

Sacramento: A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: "Este é o meu corpo...isto é o meu sangue... fazei isto em memória de mim". Porque a Eucaristia foi celebrada pela primeira vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o domingo depois de Pentecostes.
Na véspera da Sexta-Feira Santa, a morte na cruz impede uma festa solene e digna de gratidão e doutrinação. Porque a Última Ceia está no Novo Testamento, os evangélicos lhe têm grande consideração, mas com interpretação diferente.
Para os luteranos e metodistas, a Eucaristia é sacramento, mas Cristo está presente no pão e no vinho apenas durante a celebração, como permanência e não transubstanciação. Outras igrejas cristãs celebram a Ceia como lembrança, memorial, rememoração, sinal, mas não reconhecem a presença real de Cristo nela. Mas alguma coisa existe em comum que, por intermédio da Eucaristia, une algumas Igrejas cristãs na Eucaristia, ensina o Concílio Vaticano II, no decreto "Unitatis Redintegratio".
A Eucaristia é também celebração do amor e união, da comum-união com Cristo e com os irmãos.
Ela [Eucaristia], que é a renovação do sacrifício de Cristo na cruz, significa também reunião em torno da mesa, da vida e da unidade para repartir o pão e o amor. E é o centro da vida dos cristãos: "Eu sou o Pão da Vida, que desceu do céu para a vida do mundo, por meio da vida de comum-união dos cristãos".

Ornamentação: A decoração das ruas para a Procissão de Corpus Christi é uma herança de Portugal e tradição brasileira. Muitas cidades enfeitam suas ruas centrais com quilômetros de tapetes, feitos de serragem colorida, areia, tampinhas de garrafa, cascas de ovos, pó de café, farinha, flores, roupas e outros ingredientes.
(*)Exerceu o ministério por 7 anos na Arquidiocese de Botucatu (63/69), por 14 anos na Diocese de Apucarana (69/83) e por 8 anos na CNBB de Brasília. A partir de 1991 integrou a Arquidiocese de São Paulo, como Vigário Episcopal de Comunicação. É autor do livro "Como Falar com os Meios de Comunicação da Igreja". Faleceu no dia 11/10/2001.

Monsenhor Arnaldo Beltrami (*)

domingo, 19 de junho de 2011

Solenidade da Santíssima Trindade

Terminado o Tempo Pascal no dia de Pentecostes, agora celebramos a Festa da Santíssima Trindade, isto é, a presença de Deus Pai, Filho e Espírito Santo. É o mistério da revelação de Deus Trino, expressão de unidade na diversidade, de manifestação da divindade. É difícil entender esse mistério, a não com a revelação do próprio Deus. Deus Pai aparece como o Criador de tudo, dando evidência para a pessoa humana com todas as suas características de vida. Deus Filho destaca-se como o Redentor, o Salvador de toda a humanidade criada e vivida na dignidade. E Deus Espírito Santo é o guia e santificador dos homens e mulheres no caminho de sua história de vida.
Pela revelação, Deus dá à criatura humana a possibilidade de participação nas realidades divinas. O próprio Deus Filho diz: “Quem crê em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque eu vou para junto do Pai” (Jo 14, 12).
O mistério da Trindade lança luzes para a vida de comunidade, no amor, na partilha, na fidelidade e no compromisso fraterno. Isto não é apenas um fato humanitário, mas com fundo cristão e de inspiração divina, que diviniza o humano. Em última análise, todo o universo é obra de Deus, criado com Sabedoria, que se manifesta à criatura humana como fonte de alegria e de condições de sobrevivência e de vida. Com isto, o universo revela a Sabedoria e o querer de Deus para com as pessoas.
Tudo o que somos e temos manifesta o projeto de amor do Pai, que deseja a vida e a felicidade para toda a humanidade. Nós nos tornamos sempre criaturas novas pela fé, capazes para viver a paz e a esperança, enfrentando as dificuldades e as tribulações.

Temos que experimentar um Deus amor e comunhão com um projeto de libertação, de ternura, de compassividade e capacidade para ir ao encontro do outro e lhe prestar ajuda nas horas mais difíceis. É atitude de compaixão com doação sem medida.

Dom Paulo Mendes Peixoto
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sábado, 18 de junho de 2011

Série: Virtudes dos Músicos - Como se preparar para a missão

Aquele que serve a Deus na música deve sempre ser uma pessoa em que todos podem confiar, pois tem segurança interior. A assembleia percebe essa segurança nas melodias, pois ele sabe as músicas e todos confiam no seu serviço.
Quando vai ministrar uma música, esta já foi objeto de sua reflexão e escuta a Deus.
O ministro de Deus na música prepara-se, antes de se apresentar, com jejuns, penitências, ensaios. Ele trabalha se preparando, pois aquele que vai ministrar sem preparação está tentando a Deus: “Antes da oração, prepara a tua alma, e não seja como um homem que tenta a Deus” (Eclo 18,23).
O Senhor quer que nos preparemos com estudo, penitência e mortificações; Ele quer os nossos cem por cento, pois Ele se doou inteiramente por nós na cruz. Se nos doarmos cem por cento ao Senhor, Ele irá aproveitar tudo o que Lhe dermos e fará muito mais do que imaginamos. Foi como na passagem do menino dos cinco pães e dois peixes, capítulo sexto do Evangelho de São João: “Jesus fez o milagre a partir do que os discípulos lhe ofereceram”. Os cinco pães e dois peixinhos ficaram insignificantes diante das sobras do milagre da multiplicação. Assim também o Senhor quer receber a nossa insignificância, para multiplicar tudo em nós com o Seu poder maravilhoso.

(Trecho extraído do livro: "Formação espiritual de evangelizadores na música" de Roberto A. Tannus e Neusa A. de O.Tannus).

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Santo Antônio de Pádua, Rogai por Nós!

Conheça um pouco de sua história

Pádua está situada na Região Veneto, rica pelas belezas naturais, obras de arte e arquitetura. Antiga cidade universitária que possui uma ilustre história acadêmica. Mesmo sendo uma atraente cidade, o que leva tantas pessoas a ela é a bela história de Santo Antônio.
"Fernando de Bulhões e Taveira nasceu em Lisboa. Ordenado sacerdote entre os cônegos regulares de Santo Agostinho, deixou-se fascinar pelo ideal franciscano, por ter visto os corpos dos cinco primeiros mártires franciscanos de Marrocos. Entrou no convento de Santo Antônio de Coimbra, onde recebeu o nome de Antônio(...).
Em 1221 participou do capítulo geral da ordem franciscana e viu São Francisco. Pregou com eficácia contra os hereges dirigindo-se de preferência ao povo. A Quaresma de 1231 assinalou o vértice de sua pregação em que predomina as solicitações sociais(...)."
(Fonte: Missal Cotidiano)

Sua Basílica é o principal monumento de Pádua e uma das principais obras-primas de arte do mundo. Foi iniciada em 1232, possui 115 de metros de comprimento, 38 metros de altura chegando a 68 com a torres, é rodeada por 8 cúpulas e o seu interior é construído em forma de cruz latina.
À esquerda está a capela onde encontra-se o altar-túmulo de Santo Antônio. Ao seu redor estão dispostos nove relevos em mármore que retratam cenas da vida e milagres do Santo.
A Capela das relíquias foi construída no século XVII em estilo barroco. Nos três nichos estão expostos dezenas de relicários.
Em 1981, com a autorização de João Paulo II, foi efetuado um reconhecimento do corpo de Santo Antônio, após 750 anos de sua morte.
O primeiro reconhecimento, em 1263, revelou seus restos mortais em excelentes condições, recolhidos numa pequena urna. As análises científicas possibilitaram reconstruir as características físicas do Santo: ele tinha 1,70m de altura, estrutura não muito robusta, perfil nobre, rosto comprido e estreito.
Foi encontrado também o aparelho vocal intacto: a língua e as pregas vocais, assim como, os restos da túnica que estavam ao lado dos ossos e as duas caixas antigas com panos da época.
São famosos seus milagres acontecidos ainda em vida, como o da Eucaristia e o da pregação aos peixes:
A cidade de Rimini, na Itália, estava nas mãos de hereges. À chegada do missionário, os chefes deram ordem para isolá-lo através de um ambiente de silêncio manifestando indiferença. Antônio não encontra ninguém a quem dirigir a palavra: igrejas vazias e praças desertas. Anda pelas ruas da cidade rezando e meditando. Coloca-se diante do mar Adriático e chama o seu auditório: “venham vocês, peixes, ouvir a palavra de Deus, já que os homens petulantes não se dignam ouvi-la”. Logo apareceram centenas de peixes. A curiosidade do povo foi mais forte, foram ver o que estava acontecendo e ficaram maravilhados, aconteceu o entusiasmo, o arrependimento e o regresso à Igreja.
Durante uma pregação, cujo tema era a Eucaristia, levantou-se um homem dizendo: “Eu acreditarei que Cristo está realmente presente na Hóstia Consagrada quando vir o meu jumento ajoelhar-se diante da custódia com o SS. Sacramento”. O Santo aceitou o desafio. Deixaram o pobre jumento três dias sem comer. No momento e lugar pré-estabelecido, apresentou-se Antônio com a custódia e o herege com o seu jumento que já não agüentava manter-se em pé devido ao forçado jejum. Mesmo meio-morto de fome, deixou de lado a apetitosa pastagem que lhe era oferecida pelo seu dono, para se ajoelhar diante do Santíssimo Sacramento.
Milhares de pessoas acorriam de toda parte para ouvir os sermões de Antônio. O seu cristianismo não era monótono mas tendia a austeridade, mesmo assim, não desencorajava os penitentes. Conta-se que em uma quaresma, o povo de Pádua não ia trabalhar antes de ouvir Antônio falar sobre a palavra de Deus. E ele já muito debilitado falava ao povo de cima de uma nogueira em Camposampiero.
Numa tarde, um conde dirigiu-se à cela de Antônio. Ao chegar, viu sair de uma brecha um intenso esplendor. Empurrou delicadamente a porta e ficou imóvel diante de uma cena prodigiosa: Antônio segurava nos seus braços o menino Jesus! Quando despertou do êxtase pediu ao conde que não revelasse a ninguém a aparição celeste.
Destruído pela fadiga e pela doença da hidropisia, sentiu que a hora do seu encontro com o Senhor estava se aproximando. Desejou ir para a igreja de Santa Maria, mas estando muito debilitado, parou em Arcella, que encontra-se às portas de Pádua. Ali morreu aos trinta e seis anos após pronunciar as palavras: “Video Dominum Meum” (vejo o meu Senhor).
É honrado com o título de “Doutor Evangélico”. Seu culto é um dos mais populares da história e apressou sua canonização, ocorrida um ano após sua morte.

Santo Antônio de Pádua, Rogai por Nós!

Lurdinha Nunes
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domingo, 12 de junho de 2011

Solenidade de Pentecostes

O Espírito Santo e a Igreja

A Igreja foi manifestada ao mundo no dia de Pentecostes. Jesus, glorificado à direita do Pai, após a sua Ascensão ao céu, enviou o Espírito Santo sobre a Igreja que instituíra sobre Pedro e os Apóstolos, tendo Maria como Mãe, para anunciar o Evangelho da salvação a todos os povos.
O dom do Espírito Santo foi a primeira grande graça que o Senhor conquistou para a sua Igreja pelos méritos da sua paixão e morte na cruz. Na oração eucarística da Missa de Pentecostes, a Igreja reza: “Para levar à plenitude os mistérios pascais, derramastes, hoje, o Espírito Santo prometido, em favor de vossos filhos e filhas. Desde o nascimento da Igreja é ele quem dá a todos os povos o conhecimento do verdadeiro Deus; e une, numa só fé, a diversidade das raças e línguas”.
No dia de Pentecostes Deus deu início a reunificação dos seus filhos dispersos pelo pecado, desde o Paraíso. A confusão das línguas na torre de Babel é agora dissolvida numa só língua que todos entendem. Cristo é o Tronco da grande Árvore que é a Igreja, e o Seu Santo Espírito é a Seiva que circula em todos os seus ramos.
O Espírito Santo é a alma da Igreja. Dizia Santo Agostinho: “O que é o nosso espírito, isto é a nossa alma em relação aos nossos membros, assim é o Espírito Santo em relação aos membros de Cristo, ao Corpo de Cristo que é a Igreja” (Serm. 267,4). Na Encíclica “Mystici Corporis Christi”, o Papa Pio XII reafirma esse ensinamento dizendo que: “A esse Espírito de Cristo, como a princípio invisível, deve-se atribuir também a união de todas as partes do corpo tanto entre si como com sua Cabeça, pois que ele está todo na Cabeça, todo no Corpo e todo em cada um dos seus membros”. Da mesma forma São Paulo ensina que o Espírito Santo é que faz da Igreja “o Templo do Deus vivo” (2 Cor 6,16). “É nele que também vós outros entrais conjuntamente, pelo Espírito Santo, na estrutura do edifício que se torna a habitação de Deus” (Ef 2,22).
A “Lumen Gentium” nos ensina que: “Terminada a obra que o Pai havia confiado ao Filho para realizar na terra, foi enviado o Espírito Santo no dia de Pentecostes para santificar a Igreja permanentemente” (LG,4). É o Espírito Santo que faz a Igreja ser, como disse São Paulo, a comunidade dos “concidadãos dos santos e membros da família de Deus” (Ef 2,19).
Podemos dizer que da mesma forma que o Espírito Santo formou Jesus no seio da Virgem Maria, Ele que é a Cabeça da Igreja, igualmente forma os membros desse mesmo Corpo. Santo Ireneu (†202), com palavras impressionantes se expressava sobre a ação do Espírito Santo na Igreja: “Com efeito, é à própria Igreja que foi confiado o dom de Deus. É nela que foi depositada a comunhão com Cristo, isto é, o Espírito Santo, penhor da incorruptibilidade, confirmação de nossa fé e medida da nossa ascensão para Deus. Pois lá onde está a Igreja ali também está o Espírito de Deus; e lá onde está o Espírito de Deus, alí está a Igreja e toda a graça” (Adv.haer. 3.24.1). O mesmo ensinava Santo Hipólito (160-235): “A Igreja é o lugar onde floresce o Espírito”. Santo Agostinho (354-430) dizia o mesmo: “Onde está a Igreja aí está o Espírito de Deus. Na medida que alguém ama a Igreja é que possui o Espírito Santo”. E completava: “Fazei-vos Corpo de Cristo se quereis viver do Espírito de Cristo. Somente o Corpo de Cristo vive de Seu Espírito”.
É no coração da Igreja que encontramos o Espírito Santo. Quem não ama a Igreja não o encontra. Quem não o busca no seio da Igreja não o encontra, pois é ali que Ele mora. É ainda o Papa Pio XII, na mesma Encíclica já citada que afirma que o Espírito Santo é: “O princípio de toda ação vital e verdadeiramente salutar em cada uma das diversas partes do Corpo”.
O Espírito Santo age de muitas formas no Corpo de Cristo para edificá-lo na caridade. É essa a sua missão maior: formar o Corpo de Cristo, a família de Deus salva. “É por Ele que todo o Corpo – coordenado e unido por conexões que estão a seu dispor, trabalhando cada um conforme a atividade que lhe é própria – efetua esse crescimento, visando à sua plena edificação na caridade” (Ef 4,16).
Quanto mais cada cristão for “repleto” do Espírito Santo, tanto mais a Igreja o será, e tanto mais ela será edificada. “Que devemos fazer, irmãos?” Pedro lhes respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para a remissão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2,37-38). Deus Pai quer nos dar o Seu Espírito, porque sem Ele não conseguiremos fazer a Sua vontade e sermos cristãos verdadeiramente. O próprio Senhor disse isso explicitamente: “Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que o pedirem” (Lc 11,13).
Na Oração Eucarística [III], pedimos ao Pai: “…concedei que alimentando-nos com o corpo e o sangue do vosso Filho , sejamos repletos do Espírito Santo e nos tornemos em Cristo um só corpo e um só Espírito”. Pela Palavra de Deus, que São Paulo chama de “a espada do Espírito” (Ef 6,17), Ele faz com que o Povo de Deus adquira os “mesmos sentimentos de Cristo Jesus” (Fl 2,2). Pela força da Palavra o Espírito atua maravilhosamente no Corpo do Senhor. Como disse São Pedro: “Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus” (2 Pe 1,21).
Pela Sagrada Escritura o Espírito Santo ilumina a Igreja: “Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. Por ela o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra” (2Tm 3,16-17). Por esta Palavra, que o profeta Isaias chama de “uma espada cortante” (Is 49,2), e que São Pedro chama de “regeneradora e eterna” (1 Pe 1,23), o Espírito Santo educa e santifica a Igreja.
Pelos Sacramentos o Espírito Santo atua de forma poderosa na Igreja, e a faz crescer em graça e santidade. Pelo Batismo forma o Corpo de Cristo: “Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só Corpo…, e todos fomos impregnados do mesmo Espírito” (1 Cor 12,13). Pelos carismas, graças do Espírito Santo para a utilidade da Igreja, Ele edifica o Corpo de Cristo.
A “Lumen Gentium”, quando fala dos carismas, diz: “O Espírito Santo não se limita a santificar e dirigir o povo de Deus por meio dos sacramentos e ministérios, e a orná-lo com as virtudes, mas também, nos fiéis de todas as classes, “distribui individualmente e a cada um, conforme entende”, os seus dons(1 Cor 12,11) e as graças especiais que os tornam aptos e disponíveis para assumir os diversos cargos e ofícios úteis à renovação e maior incremento da Igreja” (LG,12). O Catecismo diz que: “São uma maravilhosa riqueza de graça para a vitalidade apostólica e para a santidade de todo o Corpo de Cristo, mas desde que se trate de dons que provenham verdadeiramente do Espírito Santo e que sejam exercidos de maneira plenamente conforme os impulsos autênticos deste mesmo Espírito, isto é, segundo a caridade, verdadeira medida dos carismas” (CIC, 800).
Em sua Catequese sobre a Igreja, em 24 de junho de 1992, o Papa João Paulo II nos ensinou sobre os carismas: “A participação na missão messiânica, da parte do Povo de Deus, não é, portanto, procurada apenas pela estrutura ministerial e pela vida sacramental da Igreja. Provém também de outra via, a dos dons espirituais ou carismas”.
“No único Corpo, cada um deve desempenhar o próprio papel, segundo o carisma recebido. Ninguém pode receber todos os carismas, nem permitir-se invejar os carismas dos outros. O carisma de cada um deve ser respeitado e valorizado para o bem do Corpo.”
“Como toda a Comunidade eclesial foi posta por Cristo sob a guia da autoridade eclesiástica, esta é competente para julgar o valor e a autenticidade dos carismas…”
É ainda o Espírito Santo que leva a Igreja à verdade total: “Quando vier o Paráclito, o Espírito da verdade, ensinar-vos-à toda a verdade” (Jo 16,13). É por isso que há dois mil anos a Igreja guarda o “depósito da fé” intacto, na mesma firma que os Apóstolos receberam do Senhor.
O Espírito Santo embeleza e santifica a Igreja com os seus frutos, além de enriquecê-la com os carismas e guiá-la com os dons hierárquicos e carismáticos. “A uns Ele constituiu apóstolos, a outros, profetas; a outros evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa a construção do Corpo de Cristo…” (Ef 4,11-13). O Espírito Santo continuamente renova e rejuvenesce a Igreja com a força do Evangelho e a leva à união perfeita com o Esposo.“O Espírito e a Esposa dizem: Vem !” (Apoc 22,17).
É o Espírito Santo quem age na hierarquia da santa Igreja, quando exerce as funções sacramentais, administrativas e jurídicas. É claro que Ele não anula a liberdade do ministro, e tanto mais opera quanto maior a sua santidade e submissão à vontade de Deus. É por Ele que a Igreja é infalível quando nos ensina o caminho da salvação. Lembremo-nos da grande promessa que Jesus fez aos Apóstolos na última Ceia:
Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á TODA a verdade…” (Jo 16,13).
Após a Ressurreição Jesus voltou para junto do Pai, para reintroduzir o homem à Sua direita gloriosa, não para nos abandonar na nossa fraqueza. Enviando o Espírito Santo, Ele agora, mais do que “entre” nós, está “em” cada um de nós.

Profº. Felipe Aquino
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sábado, 11 de junho de 2011

A origem da Festa Junina

As festas juninas fortemente arraigadas na tradição católica, têm uma origem anterior ao cristianismo. Remontam à Antiguidade, à Era Romana. Antes do cristianismo se tornar a religião dominante na Europa, os romanos comemoravam, nesta época do ano, a deusa Juno, esposa de Júpiter. Vem de Juno o nome do mês de junho, que persistiu ao longo dos séculos. O culto à Juno acontecia em função do solstício de verão, momento em que inicia esta estação no hemisfério norte. Na Antigüidade, quando a ciência ainda não havia explicado o funcionamento do universo, as alterações no clima eram atribuídas à magia e aos deuses. Dias quentes e ensolarados, depois dos meses frios do inverno, eram considerados uma bênção divina. Assim, os povos daquela época criavam rituais para garantir a boa vontade e a bondade das divindades responsáveis por esses fenômenos, bem como oravam pela boa colheita. Com o passar dos anos a Igreja Católica foi se tornando a religião dominante e incorporou muitas das antigas festas pagãs, para facilitar a disseminação de sua fé. Logo, as festas “juninas” se tornaram “joaninas”, em homenagem a São João. Não adiantou muito e as festas passaram a ser mais conhecidas como “juninas” mesmo.

São João no Brasil
No século XVI, quando os jesuítas chegaram ao Brasil, trouxeram toda a tradição de festas religiosas. Logo perceberam que elas ajudavam a atrair a atenção dos indígenas, facilitando sua missão catequizadora. Por uma feliz coincidência para os padres, as festas juninas aconteciam em um período em que os nativos também faziam seus rituais de fertilidade. De junho a setembro, época de seca em muitas regiões do país, os roçados do ano anterior ainda estavam repletos de mandioca, cará, inhame, batata-doce, abóbora e abacaxi. Também era época de colheita do milho, do feijão e do amendoim. Tanta fartura era considerada uma bênção e devia ser comemorada com danças, cantos, rezas e muita comida. Essa coincidência de comemorações fez com que as festas juninas ficassem entre as preferidas da população. E a tradição mantém-se até hoje em várias cidades brasileiras: nas festas juninas deve-se agradecer a abundância do ano anterior, reforçar os laços familiares e rezar para que a próxima colheita seja farta.

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